A história do tênis no Brasil e no mundo
O som da bola amarela contra as cordas da raquete, a tensão de um match point, a celebração de uma vitória suada. O tênis é um esporte que cativa milhões de pessoas ao redor do globo, combinando força, estratégia e elegância em uma dança atlética.
Mas por trás de cada partida televisionada e de cada ídolo que levantou um troféu, existe uma jornada de quase mil anos. A história do tênis é uma narrativa fascinante que começa nos pátios de mosteiros medievais, passa pelas mãos da realeza europeia e desembarca no Brasil para se tornar uma paixão nacional.
Essa trajetória global encontrou um lar especial em Florianópolis, no coração do Lira Tênis Clube. Fundado há quase um século, o Lira não é apenas um espectador, mas um protagonista na consolidação do esporte na região, preservando a tradição e formando o futuro da modalidade.
Convidamos você a viajar no tempo conosco para descobrir como essa saga mundial se conecta com a nossa história aqui na Ilha da Magia.
As origens medievais e o nascimento da história do tênis de quadra
Muito antes das quadras de grama e saibro, a semente do tênis foi plantada na França dos séculos XII e XIII com um jogo chamado “jeu de paume” (jogo da palma). Como o nome indica, os jogadores usavam as palmas das mãos para rebater uma bola contra muros ou sobre uma corda.
O jogo se tornou tão popular entre monges e nobres que logo surgiram as primeiras adaptações: luvas para proteger as mãos e, posteriormente, um utensílio de madeira em forma de pá, o “battoir”, que foi o precursor da raquete.
Essa invenção, atribuída aos italianos, revolucionou a prática. As primeiras raquetes eram feitas de madeira e encordoadas com tripas de animais, o que permitia golpes mais potentes e com efeito.
O “jeu de paume” era o passatempo favorito de reis franceses como Luís XI e Luís XII, que chegaram a construir dezenas de quadras e a padronizar a fabricação das bolas. Foi nesse contexto que a palavra “tênis” surgiu, derivada do termo francês “tenez”, que significa “pega!” ou “atenção!”, uma advertência que o sacador gritava ao adversário.
Foram os ingleses, no entanto, que transformaram o passatempo em um esporte competitivo. Em 1873, o Major Walter Clopton Wingfield patenteou o “Sphairistikè”, um kit com redes, bolas e raquetes para ser jogado na grama, dando origem ao “lawn tennis”.
O marco definitivo veio em 1877, com a organização do primeiro Torneio de Wimbledon, que estabeleceu as regras universais e inaugurou a era dos grandes campeonatos. A partir dali, surgiram os outros três torneios que formam o Grand Slam: o US Open (1881), Roland Garros (1891) e o Australian Open (1905).
A chegada do tênis ao Brasil
O tênis desembarcou no Brasil no final do século XIX, trazido por engenheiros e diplomatas europeus, principalmente ingleses, que trabalhavam na modernização de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.
O esporte chegou como um costume da elite estrangeira, e as primeiras quadras foram construídas em seus clubes sociais. A primeira de que se tem registro foi inaugurada em 1888 no Rio Cricket Club, em Niterói. Logo depois, em 1892, foi a vez do São Paulo Athletic Club.
Inicialmente, o tênis era praticado como uma forma de lazer e socialização pela alta sociedade. A transição para o esporte competitivo foi gradual. O primeiro torneio oficial, um interclubes, ocorreu em São Paulo em 1904.
O Brasil só fez sua estreia na Copa Davis, principal torneio de nações, em 1932. Pouco depois, em 1938, Alcides Procópio se tornou o primeiro brasileiro a competir na grama sagrada de Wimbledon, um passo fundamental para colocar o país no cenário internacional.
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A grande história do tênis no Brasil: os ídolos que inspiraram uma nação
Se os estrangeiros plantaram as sementes, foram os ídolos brasileiros que fizeram o esporte florescer e conquistar o coração do país. Duas figuras são essenciais para entender a popularização do tênis no Brasil: Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten.
Maria Esther Bueno, a rainha pioneira
Antes de Guga, o Brasil já tinha uma rainha nas quadras. Com uma elegância e um talento incomparáveis, Maria Esther Bueno dominou o circuito mundial nas décadas de 1950 e 1960. Em uma época com menos cobertura da mídia, ela se tornou uma das maiores atletas do mundo, conquistando 19 títulos de Grand Slam ao longo da carreira, sendo sete em simples, onze em duplas femininas e um em duplas mistas.
Entre suas maiores glórias estão o tricampeonato de Wimbledon (1959, 1960, 1964) e o tetracampeonato do US Open (1959, 1963, 1964, 1966). Em 1960, ela fez história ao se tornar a primeira mulher a vencer os quatro Grand Slams em duplas no mesmo ano.
Seu estilo de jogo, descrito como “balético e extravagante”, inspirou lendas como a americana Billie Jean King. Maria Esther Bueno não apenas colecionou troféus, ela colocou o Brasil no mapa do tênis mundial.
Gustavo Kuerten, o fenômeno que democratizou o esporte
Décadas depois, foi a vez de um manezinho da Ilha, um garoto de cabelos compridos e sorriso contagiante, mostrar ao mundo a força do nosso tênis. Gustavo “Guga” Kuerten, o nosso Guga, não apenas jogou, ele provocou uma verdadeira revolução cultural no esporte.
Quem não se lembra de 1997? Aquele jovem, então número 66 do mundo, que com seu uniforme vibrante e uma garra que só a gente daqui conhece, conquistou Roland Garros, um dos torneios mais difíceis do circuito.
Aquela vitória, selada com o famoso coração desenhado no saibro de Paris, foi só o começo de uma era. Guga trouxe o troféu para casa mais duas vezes, em 2000 e 2001, consolidando seu reinado no saibro.
No final de 2000, após uma vitória memorável na Masters Cup de Lisboa, ele alcançou o topo do mundo, o ranking número 1 da ATP, e lá ficou por 43 semanas, levando o nome de Florianópolis e do Brasil para a história. Mas o “efeito Guga” foi seu maior legado.
Ele quebrou a imagem de que o tênis era um esporte de elite e, com seu carisma, inspirou uma geração inteira a pegar numa raquete. O número de praticantes no país saltou para mais de dois milhões, e muito dessa paixão nasceu aqui, vendo um dos nossos chegar ao topo.
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Um capítulo local na história do tênis: o Lira Tênis Clube
Enquanto a história do tênis se desenrolava pelo mundo, Florianópolis também escrevia seu próprio capítulo. Em 7 de outubro de 1926, da fusão de duas agremiações tradicionais, a Sociedade Lyra e o Tennis Club Florianópolis, nascia o Lira Tênis Clube.
Desde o início, o clube foi projetado para ser mais do que um espaço esportivo, mas um pilar da vida social e comunitária da cidade, que na época vivia uma fase de plena expansão.
Localizado nos altos da Colina, entre as ruas Felipe Schmidt e Tenente Silveira, o “Clube da Colina” se tornou um ponto de encontro para gerações de florianopolitanos. Mas seu legado vai além dos eventos sociais.
O Lira se consolidou como um verdadeiro berço de campeões, e sua conexão com Gustavo Kuerten é a prova máxima disso. As quadras de saibro do clube foram um palco fundamental no desenvolvimento do maior tenista da história do Brasil.
O próprio Guga já declarou que as quadras do Lira são comparáveis às de Roland Garros, o cenário de suas maiores vitórias. Essa relação de carinho e respeito perdura até hoje, com o Instituto Guga Kuerten (IGK) realizando eventos importantes nas dependências do clube.
Além de Guga, o Lira revelou outros grandes nomes, como Márcio Carlsson e Jorge Weckerle, mostrando a força de seu trabalho na formação de atletas.
Faça parte desta história
A grandiosa história do tênis é uma jornada que conecta reis franceses, a grama inglesa, heróis nacionais e, de forma muito especial, a comunidade de Florianópolis. O Lira Tênis Clube tem orgulho de ser um guardião dessa tradição, um lugar onde o passado é honrado e o futuro do esporte é construído todos os dias.
Nossas quadras não são apenas um local para a prática esportiva, são um solo sagrado onde sonhos foram e continuam a ser cultivados. Ao se tornar parte do Lira, você não está apenas entrando em um clube, está se conectando a um legado de quase 100 anos que reflete a própria evolução do tênis mundial.
Gostou de conhecer mais sobre a história do tênis? Continue explorando as histórias e dicas do nosso esporte aqui no blog do Lira Tênis Clube!













